fbpx

Follow us on social

halving bitcoin

O próximo halving do Bitcoin: 10 motivos para a cotação subir mais do que você imagina

Compartilhe com seus amigos

Um dos fenômenos que mais saltam aos olhos daqueles que passam a conhecer o Bitcoin é o “halving”. Em contraste com políticas monetárias cada vez mais frouxas ao redor do mundo, o algoritmo do Bitcoin oferece uma alternativa que choca os novatos: a cada quatro anos, cria-se menos dinheiro.

Isso mesmo: a cada quatro anos, o ritmo diário de surgimento de novos Bitcoins cai pela metade. É possível fazer a analogia com uma mina de ouro – quando descoberta, a extração do metal é fácil e abundante. Com o passar do tempo, torna-se cada vez mais difícil explorá-lo, resultando em uma queda na produção. Não é à toa que o Bitcoin recebe a alcunha de “ouro digital”.

Os primeiros dois halvings foram cercados de receios (“será que a rede continuará funcionando?”; “os mineradores não vão desistir, uma vez que sua recompensa será reduzida em 50%?”) que, por fim, se mostraram infundados. Coincidência ou não, os períodos após os dois primeiros halvings exibiram elevações estratosféricas da cotação do Bitcoin.

Seis meses após os primeiros halvings, a cotação já havia superado o pico anterior. Treze meses depois do primeiro evento, o BTC alcançaria preço incrivelmente 100 vezes maior que o registrado no dia em que sua oferta caiu à metade pela primeira vez. Dezoito meses após o segundo halving, o que se via era nova multiplicação da cotação, desta vez 30 vezes maior.

Existem argumentos razoáveis para pensar que o fenômeno não se repetirá.

O primeiro aponta a enorme diferença em termos absolutos de cada um dos halvings. Na primeira vez em que a redução ocorreu, a velocidade de expansão monetária despencou subitamente de quase 30% por ano para 12,5%. Caso consideremos os Bitcoins perdidos, desproporcionalmente concentrados nesta era “primitiva” do Bitcoin, é possível estimar uma queda abrupta de 20% em termos absolutos da expansão monetária. No segundo halving, a redução foi muito mais discreta: de quase 9% ao ano para pouco mais de 4% por ano. O próximo halving deve reduzir de 3,7% para 1,8%, ou seja, uma diminuição de apenas 2% anuais na expansão.

 

 

O segundo argumento é o da “precificação”. Segundo seus proponentes, muitos indivíduos anteciparam compras em Bitcoin já levando em consideração a expectativa do próximo halving, além dos subsequentes. Outros investidores já teriam inclusive se endividado na expectativa de retornos exorbitantes após o halving.

O terceiro argumento é o de esgotamento relativo de novos investidores. Segundo essa linha de raciocínio, o público-alvo do Bitcoin já teria sido demasiadamente exposto à sua existência e características, de modo que quase todos aqueles que poderiam um dia comprá-lo já o fizeram, limitando a quantidade de capital novo.

Este não é, entretanto, o pensamento do autor deste texto. Na minha visão, o terceiro halving deve surpreender em sua magnitude e precocidade. Quais as razões para pensar desta forma?

 

Motivo 1 – Menos Bitcoins roubados

Após ambos halvings, a valorização astronômica se deu apesar de dois eventos que, além de balançar a confiança no Bitcoin, despejariam enorme quantidade dessa criptomoeda no mercado. Vale a pena lembrar deles.

Em outubro de 2013, o governo americano derrubou o site Silk Road na deep web, além de prender o seu operador, Ross Ulbricht. Mais de 120 mil Bitcoins foram confiscados e depois leiloados. Especulava-se que o Silk Road, líder dos dark markets, responderia por um percentual muito grande das transações de Bitcoin, e sua derrocada significaria um grande golpe no preço do BTC. Ainda assim, em menos de 60 dias, a cotação iria decuplicar.

Menos de um mês após o segundo halving, a Bitfinex, então (e ainda hoje) uma das maiores corretoras de Bitcoin do mundo, foi vítima de hackers que roubaram 120 mil bitcoins. O impacto foi brutal: queda de 20% no preço em questão de horas, suspensão temporária das operações e boatos sobre falência. A Bitfinex conseguiu sobreviver e pagar todos os usuários (em dólares, de acordo com a cotação do dia do ataque), que inicialmente tomaram uma “tungada” de mais de 30%; em menos de seis meses, o Bitcoin faria novo pico histórico.

 

Motivo 2 – Não há expectativa de divisões importantes na rede

Em primeiro de agosto de 2017 (ano em que a cotação do BTC se multiplicou 30 vezes), nascia o Bitcoin Cash (BCASH), uma divisão do Bitcoin que levaria consigo alguns early adopters e muita (muita mesmo!) polêmica. O BCASH original sofreu subdivisões que, somadas, hoje representam menos de 4% do valor do BTC, mas nem sempre foi assim. No seu auge, o Bitcoin Cash chegou a valer 20% do Bitcoin, atraindo capital e interesse de novatos.

Especula-se que alguns investidores chegaram a se desfazer de dezenas de milhares de Bitcoins em troca de Bitcoin Cash, buscando “tomar partido” numa briga em que o irmão mais velho (BTC) sairia amplamente vitorioso. A mineradora Bitmain, por exemplo, vendeu 50.000 BTCs ao longo de quinze meses (entre janeiro de 2017 e março de 2018), enquanto expandia seu estoque de BCASH para mais de um milhão de unidades, em uma decisão que se mostrou desastrosa para a companhia.

Após o Bitcoin Cash, surgiram dezenas de subdivisões menores do Bitcoin (Bitcoin Gold, Diamond, Private, BCX, Microbitcoin, Bitcoin File etc.) que apenas serviram para confundir os investidores. Pode-se dizer que todos estão defuntos ou moribundos, sem expectativa de novas divisões semelhantes – formou-se um verdadeiro “exército” de vendedores de forks, praticamente inviabilizando o surgimento desses novos “clones” do BTC.

 

Motivo 3 – O Ethereum não provoca mais medo

Ao longo de 2017, ano que exibiu a última escalada do preço do BTC, uma moeda concorrente ostentou crescimento ainda maior: o Ethereum (ETH). Com sua narrativa de “descentralizar tudo”, além de transações baratas e rápidas, o ETH floresceu enquanto o BTC sofria com dificuldade em implementar melhorias (como a Segwit, que será comentada adiante), conflitos de interesses e divisões na rede. Sob a batuta do menino-prodígio Vitalik Buterin, prometia-se que o Ethereum resolveria os problemas de escalabilidade das blockchains e traria disrupção para indústrias inteiras com seus revolucionários dapps (aplicativos descentralizados). As ICOs (oferta inicial de moedas) pipocavam todos os dias, e não faltavam investidores procurando “o novo bitcoin”, em vez de comprar o “ultrapassado” BTC.

A realidade se mostrou bem mais modesta: quase todos os dapps foram um fracasso retumbante; quase todas as ICOs trouxeram prejuízo aos investidores; algumas foram alvo de investigação e multas pela SEC nos EUA. A blockchain do Ethereum se tornou imensa e pesada, comprometendo a descentralização sem que a prometida solução para escalabilidade fosse entregue. Depois de atingir pico de mais de 30% da capitalização de mercado das criptomoedas em junho de 2017, hoje o ETH é dono de uma fatia de menos de 9%, e ninguém mais acredita no flippening (cenário em que o valor da soma de todos os ETH superaria – “flip” – os Bitcoins).

 

 

Motivo 4 – A rede do Bitcoin aumentou sua capacidade

Era dezembro de 2017. Investidores novos por minuto, todos querendo sua fração de Bitcoin, ansiavam por ver a tão esperada primeira transação ser confirmada na blockchain. Passa uma hora, passam duas, um dias, três dias, uma semana e nada… “A rede está congestionada”, diz o vendedor ou o funcionário da corretora.

Dizer que estava “congestionada” era pouco: a rede do Bitcoin praticamente travou diante de uma demanda em ebulição. Transações levavam mais de uma semana para serem confirmadas, ou simplesmente sumiam da mempool (lista de transações pendentes) após 14 dias. As tarifas atingiram preços insustentáveis, e muita gente desistiu mal tendo começado a investir em moeda virtual. Hoje, entretanto, a história seria outra.

No final de 2017, meses após a implantação de uma melhoria chamada Segwit, que aumenta a capacidade de transações da rede, a sua adoção ainda era limitada: apenas 10% das transações do Bitcoin eram “transações Segwit”. Hoje, aproximadamente metade das transferências na rede ocorrem via esse protocolo.

 

 

Além disso, as principais corretoras, responsáveis por enorme percentual das transferências, passaram a adotar medidas que racionalizam a ocupação da rede, conjugando várias transações em uma só (prática chamada de “batching”). Como alternativa às transações na blockchain do Bitcoin, muitas corretoras fazem transferências entre si fora da blockchain, aliviando a demanda.

Já faz quase dois anos desse congestionamento e a rede Bitcoin voltou a permitir que se enviem milhões de dólares pagando apenas centavos aos mineradores. Embora sua capacidade seja limitada diante de alternativas centralizadas (como VISA e Mastercard), certamente ela é muito maior do que a de dezembro de 2017. Espera-se um aumento exponencial na capacidade de transações por segundo quando a rede Lightning (uma espécie de “segunda camada” da rede Bitcoin) se tornar plenamente operacional.

 

Motivo 5 – Sem vendas a mercado da massa falida da Mt. Gox

A maior parte dos atuais investidores de Bitcoin não chegou a conhecer a Mt. Gox. Líder de mercado no início dos anos 2010, a corretora japonesa, fundada e conduzida de forma extremamente centralizada por Mark Karpelès, chegou a concentrar nada menos que 80% do volume mundial de compras e vendas de BTC. Após sofrer com roubos por hackers, incompetência e fraude do seu criador (que passaria alguns anos em prisões no Japão), a Mt. Gox finalmente ficaria offline em fevereiro de 2014.
O prejuízo para os milhares de usuários foi gigantesco: cerca de 650.000 BTCs. Após a sua falência, foram “encontrados” cerca de 200.000 BTCs, então sob controle da justiça japonesa. De acordo com as leis do país, os credores são compensados de acordo com o valor em ienes à época da falência, de modo que muitos Bitcoins precisariam ser convertidos para realizar os ressarcimentos.

O processo se deu da forma mais caótica possível: vendas a mercado de milhares de Bitcoins, com intervalos de dias a semanas. Coincidência ou não, o começo das vendas coincide com o término do último bull market (período de alta) do BTC.

 

 

Em março de 2018, o fiel depositário da massa falida anunciou que já havia vendido o suficiente para pagar aos credores. Espera-se, desta forma, que não haja uma nova “desova” de Bitcoins da Mt. Gox numa eventual subida acelerada da cotação.

 

Motivo 6 – É mais fácil comprar Bitcoin agora

Muita gente até tentou comprar Bitcoin no final de 2017, mas desistiu porque havia se tornado impossível. Corretoras demoravam semanas para verificar documentos, mesmo contratando pessoas às pressas. A Foxbit chegou ao cúmulo de decretar uma “moratória” de novos clientes por semanas. No exterior não foi muito diferente.

Com o passar dos meses e anos, entretanto, grande número desses interessados acabou criando suas contas. Muitos compraram hardware wallets (carteiras offline como Ledger e Trezor) ou receberam paperwallets. Mesmo que estas contas não estejam sendo utilizadas, basta um e-mail para recuperar a senha e enviar dinheiro à corretora.

No exterior, investidores dos pequenos aos institucionais tiveram sua vida facilitada. Nos EUA, líder absoluto em investimentos financeiros mundiais, é possível comprar BTC com aplicativos como o CashApp (que chegou a absorver, em determinado período, impressionantes 10% dos Bitcoins minerados no mundo) ou o Robinhood. Os investidores institucionais contam com soluções de custódia de players tão tradicionais como a Fidelity, além de opções como a Bakkt e a Coinbase Custody. Nenhuma dessas alternativas existia em 2017. A porta de entrada do bitcoin se tornou muito mais larga.

 

Motivo 7 – Mercado de derivativos mais maduro

Em 2017, o mercado de derivativos do Bitcoin era muito imaturo: não havia opções minimamente líquidas e as transações “spot” representavam quase todo o volume.

Hoje, temos o gigante Bitmex, sediado nas ilhas Seychelles e ostentando volumes de centenas de milhares de BTCs por dia. Deribit, LedgerX e Bitfinex são outros players que buscam ocupar seu espaço no mercado de derivativos. Além de viabilizar a entrada de determinadas instituições, os derivativos oferecem uma série de alternativas aos investidores, incrementando o valor do Bitcoin em si. Para dar uma ideia da importância, basta citar o saldo fundo de emergência da Bitmex: 31 mil BTCs (quando este texto foi escrito).

 

Motivo 8 – Mercados tradicionais em apuros

Este tópico, isoladamente, poderia se desdobrar em muitos textos, então cabe apenas citar os gatilhos para eventuais fugas de mercados financeiros tradicionais em direção ao Bitcoin:

– Mais de 17 trilhões em títulos com juros negativos;

– Déficits governamentais insustentáveis;

– Promessas de aposentadoria e serviços públicos impossíveis de serem cumpridas;

– “Quantitative easing” (impressão eletrônica de dinheiro para compra de ativos financeiros);

– Pressões, restrições e exposições em relação aos “paraísos fiscais” tradicionais (como Suíça e Panamá);

– Possíveis bolhas em mercados de capitais e imobiliários;

– Guerras comerciais.

 

Motivo 9 – A narrativa se estabelece

A cada dia que o Bitcoin sobrevive, sua aceitação como “ouro digital” se consolida (efeito Lindy). Seja em relatórios de bancos de investimentos, matérias do setor financeiro ou em um tweet de Donald Trump, o termo Bitcoin é repetido semana após semana.

Surgem estudos que demonstram sua ausência de correlação com outros ativos, bem como modelos de precificação (como, por exemplo, Stock-to-Flow de Saifedean Ammous/PlanB) que atraem o investidor menos ideológico e mais racional (gestor de portfólio). O objetivo é o mesmo de todos: aumentar a taxa de retorno sem comprometer o risco da carteira de investimentos. Vale mencionar estudos que demonstram que a inclusão de Bitcoin no portfólio aumenta o índice Sharpe, proporcionando maior retorno para o mesmo nível de risco (na medida em que não se correlaciona com outros ativos). Até mesmo uma alocação 99% em cash e 1% em Bitcoin teria superado o desempenho do SP500 nos últimos anos.

 

 

Motivo 10 – A demografia

A demografia está do lado do Bitcoin. Por mais criticados que sejam, os millennials gradualmente estão ocupando postos de trabalho e de direção, além de receberem heranças. Em contraste com as gerações anteriores, pessoas dessa faixa etária lidam de forma muito mais natural com a ideia de uma moeda puramente digital, além de dar maior valor à privacidade e à mobilidade por diferentes países.

Estudos mostram que, quando comparados com as gerações pregressas, os millennials têm propensão maior a investir em Bitcoin e menor em investir em ações ou imóveis. Esta mudança não ocorrerá de forma súbita na sociedade, mas certamente ganhará importância a cada semestre. Nunca é demais ressaltar que o jovem que ainda está na faculdade e não tem renda, por mais apaixonado que seja pelo BTC, não consegue “precificar o próximo halving”.

 

 

No caso peculiar do Brasil, cabe citar o avanço de ideias liberais/libertárias, com um percentual, ainda que pequeno, mas inédito dos mais jovens se identificando com princípios da Escola Austríaca de economia.

Este texto não é recomendação de investimento, mas apenas um apanhado de opiniões estritamente pessoais do autor. Recomendo que façam suas próprias pesquisas e, caso necessário, procurem profissionais certificados para tomar decisões. Conflito de interesse: possuo investimento em Bitcoins.

Recomendo que salvem o link e retornem ao texto em dois anos para comentar ou criticar.

Cadastre seu e-mail para receber notícias e novidades em primeira mão.

Gostou desse artigo? Seja o primeiro a ver outros conteúdos como esse.


Compartilhe com seus amigos