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Os 6 anos de prisão de Ross Ulbricht e o fim do Silk Road

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Hospedado na dark web, o site permitia a transação de drogas, itens e serviços ilegais pagos com Bitcoin.


Velho Oeste da Internet, eBay do Vício, Amazon das Drogas. Esses foram alguns apelidos bastante pertinentes dados ao site Silk Road, o paraíso dos traficantes de drogas, vendedores de armas, contrabandistas e forjadores de documentos. Criado em 2011 por Ross Ulbricht, sob o pseudônimo de Dread Pirate Roberts, o endereço ficava no coração da dark web, o lugar mais obscuro e profundo da internet, abaixo da já infame deep web – enquanto esta diz respeito àqueles sites de difícil acesso que os buscadores não indexam, onde estão conteúdos macabros e ilegais, a dark web corresponde a uma pequena parte desse submundo que é inacessível por meios tradicionais, pois requer autorizações, softwares específicos e configurações avançadas.

 

 

O Silk Road permaneceu ativo por menos de três anos, mas nesse curto período rendeu uma fortuna multimilionária a Ulbricht, uma condenação perpétua, a prisão de dois agentes federais americanos e algumas tentativas de assassinato. Tudo isso com muito Bitcoin no centro. Dois dias depois de prender seu criador, o FBI derrubou o site no dia 03 de outubro de 2013.

Rota para a liberdade

O americano Ross Ulbricht é graduado em Física pela Universidade do Texas e mestre em Engenharia pela Universidade Estadual da Pensilvânia, onde trabalhou como assistente de pesquisa após obter seu título – mas não era a vida acadêmica que ele queria, e então decidiu se aventurar no universo de startups. Depois de algumas desilusões, Ross partiu para o Vale do Silício com o objetivo de concretizar uma ideia completamente alinhada a sua visão de mundo. O jovem era um cético em relação às autoridade do governo e à efetividade da Guerra Contra as Drogas duramente empreendida pelos Estados Unidos, além de ser ferrenho defensor dos mercados livres.

Eis que criou o Silk Road (a Rota da Seda) com o propósito de tornar o mundo um lugar melhor… de um jeito controverso. O site era um mercado livre, completamente fora escopo de controle do governo, onde usuários poderiam comprar e vender drogas sem ter que lidar com traficantes e gangues perigosas ou se expor às autoridades. Lá, os vendedores publicavam listas de “produtos” que eram entregues diretamente na casa dos compradores e, após as transações, eles avaliavam uns aos outros com base em critérios como qualidade, preço e confiabilidade – tudo de forma praticamente 100% anônima, uma vez que para acessar o site na dark net era necessário usar o software Tor e os pagamentos eram feitos apenas em Bitcoin. 

A ideia era que o mercado listasse apenas produtos que resultassem em crimes sem vítimas, de modo que pornografia infantil, homicídios e outras coisas ilegais eram banidas – 70% das vendas consistiam em drogas –, pelo menos enquanto Ross ainda tinha a capacidade (e vontade) de manter os padrões que havia estabelecido. O negócio deu certo: o equivalente a mais de US$1 bilhão passou pelo site, dos quais US$28 milhões foram parar nos bolsos de Ulbricht. E de nada adiantou, porque pouco tempo depois já não pôde mais usá-los.


Beco sem saída
O FBI já sabia de todo o esquema poucos meses depois dele surgir, mas não pôde intervir até descobrir quem estava por trás do Dread Pirate Roberts, o que levou quase três anos para acontecer. A estratégia da investigação foi se aproximar das pessoas mais próximas do pseudônimo, mas o que entregou sua identidade foi algo bem mais simples: uma pesquisa no Google. O FBI encontrou nos resultados o pseudônimo “altoid”, ligado a Dread Pirate Roberts, promovendo o Silk Road em outro fórum de drogas. Pesquisando sobre altoid, a investigação encontrou uma postagem em um fórum sobre Bitcoin contendo o e-mail pessoal de Ulbricht.

 

O criador do Silk Road se viu encurralado em um beco sem saída: quando foi preso, estava conectado ao site como administrador, usando seu pseudônimo para conversar com quem não sabia ser um agente do FBI disfarçado. Em seu computador, além de um diário com informações comprometedoras, encontraram o correspondente dezenas de milhões de dólares em Bitcoin, e mais ainda em carreiras frias. Evidentemente, o site foi desativado para sempre.

O caminho do crime leva a mais crime
Ironicamente, Ulbricht, o cara pacífico que criou um site com o objetivo de diminuir a violência nas transações ilícitas, acabou com seis acusações de tentativa de homicídio – como quando um usuário ameaçou derrubar o site com um ataque de negação de serviço e ele quis resolver a situação mandando matar o chantagista. Uma outra situação merece destaque: quando o FBI encurralou vários usuários e administradores do Silk Road na investigação da identidade de Dread Pirate Roberts, o moderador Curtis Green foi preso. Isso deixou Ross com muito medo de ser dedurado, especialmente depois de descobrir que o correspondente a US$350.000 em Bitcoin de várias contas do site sumiram e foram parar na conta de Green. 

Como ele reagiu? Contratando um usuário chamado “Nob” para assassinar Green, sem imaginar que sob o pseudônimo estava Carl Force, um agente federal infiltrado para se aproximar da identidade real do criador do site. Force fingiu ter executado a encomenda por US$40.000, só que ao invés de parar aí, nos limites do seu trabalho, Carl quis se beneficiar e usou as informações que possuía para criar diferentes perfis no Silk Road e extorquir Ulbricht oferecendo, em troca de uma boa quantia, supostas informações do FBI sobre a investigação. 

Ainda bem que o crime encomendado não foi realmente executado: pouco tempo depois, a investigação revelou que quem roubou aqueles US$350.000 não foi o próprio Green, mas sim Shaun Bridges, ex-agente do Serviço Secreto americano, usando a identidade do outro. Ele transferiu mais US$450.000 de outras contas para… sua própria. 

Enquanto Carl Force foi declarado culpado por extorsão, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça, o que lhe rendeu a sentença de seis anos e meio de prisão e o pagamento de uma restituição de US$300.000, Bridges foi condenado a quase seis anos de prisão por lavagem de dinheiro – mas provavelmente vai passar mais tempo atrás as grades, pois também está sendo julgado por lavagem de dinheiro por meio da exchange de Bitcoin BTC-e, derrubada pelo FBI nas investigações do hackeamento da MtGox.

O fim da estrada
Ross Ulbricht foi condenado a prisão perpétua por lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e hackeamento, sem possibilidade de fiança (apesar das acusações de tentativa de homicídio não terem sido levadas adiante, elas também tiveram seu peso na pena). Desde sua prisão, em outubro de 2013, a família do condenado promove uma campanha para libertá-lo de uma sentença tão grave para acusações de crimes não violentos – o próprio juiz do caso admite que as leis atuais são excessivamente rígidas por conta da Guerra Contra as Drogas que os Estados Unidos promove, mas enquanto elas não mudarem, o criador do Silk Road continua preso. Os Ulbricht têm um website onde pedem pela liberdade do filho e aceitam doações para ajudar a pagar os advogados de defesa.

 

Alguns administradores mantiveram um Silk Road 2.0 durante um ano, mas também foram presos e o site derrubado. Outros sites similares apareceram nos anos seguintes, mas nenhum alcançou a mesma notoriedade ou teve ambições tão grandes, especialmente sabendo que o FBI está por perto.

A esperança ainda não acabou

Nesta terça-feira (1), uma publicação em nome de Ross no seu Twitter oficial lembrou seu aniversário de seis anos de prisão. A petição para libertá-lo já foi assinada por mais de 210.000 pessoas até o momento.

 

 

Em dezembro de 2018 e maio de 2019, Ulbricht enviou cartas para Roger Ver, criador do bitcoin.org, contando sobre a vida na prisão. Sua última tentativa de redução de pena foi em agosto deste ano, mas o pedido foi imediatamente negado.

Via de mão dupla

Há quem pense que o Bitcoin é um prato cheio para criminosos por conta de seu suposto grau elevado de anonimato – e conhecer superficialmente a história do Silk Road reforça esse pensamento, uma vez que, de fato, a criptomoeda possibilitou muitas transações de ilícitos sem que os usuários sofressem consequências. Mas nada é tão simples assim: foi justamente por meio de um fórum de Bitcoin que a identidade de Ulrich foi descoberta pelo FBI. O que o pseudo anonimato do Bitcoin possibilita por um lado pode acabar com tudo por outro, como uma faca de dois gumes.

 

Para você, Ross Ulbricht deve cumprir a sentença ou ser libertado?

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